Desesperada,Elle corria pela casa. Corria e tropeçava mas o medo a mantinha na fuga. Sentiu braços fortes a enlaçarem.Gritou.Gritou com todas a força que pôde.
Acordou.Sentou-se ofegante.Encarou o quarto de hospital,de tom bege,sentiu as agulhas em seu corpo e as arrancou.O alto da têmpora era coberto por um curativo.Repetinamente,a garota voltou a deitar-se,pois tonteou-se.A visão ficou um pouco embaçada.
Demorou um segundo para lembrar-se do acidente,e aos poucos as lembranças vieram.Preocupada com os amigos,virou as pernas para fora da cama com o intuito de descer.O quarto girou.Fechou os olhos,respirou alguma vezes,esperando que enxergasse melhor,mas teve pouco sucesso e mesmo assim,se pôs de pé.
Ignorou a fraqueza,a roupa enorme aberta nas costas,e seguiu para a porta.Estando de cabeça baixa ,fitando o chão e os pés descalços,abriu a porta,em seguida,esbarrando em um homem de jeans escuro e sapatos caros.Ele bloqueava a passagem.
Irritada,pelo impedimento,ergueu o rosto para o dele.O ambiente,antes sinuoso e desfocado,estagnou e se focou naquela figura sombria e muito,muito atraente.Os olhos azuis ficaram-se no dela,permanecendo por algum tempo;impassíveis.
O momento de admiração durou apenas um segundo,no seguinte,teve vontade de jogar um sapato ponte agudo em sua cabeça.
-Você não pode sair.-informou ele,grosso.
-Me deixe passar.-guinchou entredentes,empurrando seu peitoral definido.
Ele nem sequer pareceu sentir,continuo a encará-la,bloqueando a porta.Cruzou os braços.
-Você não sairá
-Saia da minha frente!-gritou irritada,sentindo uma fraqueza nas pernas e o mundo girar.
As pernas cederam e cairia,no entanto,braços fortes a segurou e a carregou para a cama.
-Deite-se.-mandou
-Eu preciso ver Demitria e Derek .
Resistiu ao esforço de deitar-se e decidida encarou.
-Eles estão bem.-disse irritado-Derek está vindo,mas se quiser procurá-los pelo hospital,com esse buraco nas costas,mostrando tudo...fique a vontade.
Abriu o caminho,de braços cruzados e com um sorriso vitorioso.A garota,mesmo com aquele empecilho,não se deu por vencida.Uniu as pontas do buraco com a mão direita,seguiu para a porta mas esta foi fechada por ele em velocidade vampirica.Parou,percebendo que ele aparentava ter seus vinte e quatro anos,mas só aparentava.
-Você é um vampiro?
-Não.-respondeu ele ultrajado.
-É um anjo,então.
-Não interessa.
-Qual o seu nome?
-Luther.
-Você é incapaz de raciocinar frases com mais de cinco palavras,Luther?
Ele a fuzilou com os olhos e a pose,rigida,se tornou raiva e se aproximou dela perigoso.
-Será a última vez que vou repetir deite-se agora
-Você disse que eu poderia procurá-los...
Luther a pegou no colo e a deitou,novamente,na cama.
-Deite-se e espere.E mantenha essa matraca fechada.
Não houve tempo para agir.A porta abriu e Derek entrou.Elle se surprendeu com o seu estado:aparentava cansaço e desânimo,profundas e roxas olheiras mas,nenhum arranhão.Não aparentava ter sofrido um acidente.Investiu para o amigo,o examinando e o abraçou levemente.
-Como está?-perguntou Elle soltando-o.
-Vivo.-respondeu forçando-se a abrir um sorriso.
-Gaças a mim.
A voz vinha da porta.Era extremamente familiar.O dono não mudara nada nas últimas décadas.Kurth.Continuava com os mesmos cabelos loiros,olhos verdes convencidos,sorriso e pose de conquistador.Abriu os braços esperando que Elle o abraçasse,mas como esta não se moveu,perguntou:
-Não vai abraçar um amigo que não vê a décadas?
-Você não tem amigo Kurth...
-Engananda,você e o Luther são meus únicos amigos.-disse rindo do que falou.
Desgraçado,pensou.queria matá-lo.
-Pare com esse teatrinho,Kurth.
Kurth continuva de braços abertos.
-Se não fosse por mim Derek estaria morto...
-Do que está falando?
-Ele estava quase morrendo,e eu como uma alma caridosa - fez bico e cara de anjo.-dei um pouco do meu sangue para salvá-lo.
Entendeu o porque de Derek estar tão bem.O sangue de vampiro acelerava drasticamente a cura de feridas,só havia um porém,se Derek morresse com o sangue nas veias,viraria um vampiro.
Kurth se aproximou dela,levando a mão ao seu rosto.
-Você continua linda.
Desgraçado,depois de tudo que fizera tinha a petulância de ser tão arrogante.O estapeou.O soco também uma vez.Contudo,no momento seguinte,Luther a segurou pela cintura e a afastou.
-Me solta!-esbravejava.
Kurth ria.
Foi solta no chão,entre a parede e Luther,que colocou a mão nos lados e disse:
-Se acalme.
Fitou os olhos azuis e esqueceu a raiva.Esquecera o próprio nome
-Você gosta de brigar-reclamou Luther.
-Eu...
O que ia dizer,indagou-se e fechou os olhos.
-Eu quero matá-lo.- murmurou.
-Morrer é fácil...
-Estou escutando tudo.-lembrou Kurth nas costas de Luther.-Elle,terá que me suportar,pois precisa de mim e saiba que não farei isso de graça.
-Onde está Demi?-perguntou exaltada.
Se fez silêncio.Luther desviou o olhar e se pôs de lado,Derek abaixou a cabeça e Kurth tornou-se sério.
-O que Houve?Ela está bem?
-Ela está viva mas...-Kurth não terminou.
-Mas está em côma.-completou Luther
As palavras ecoaram e demorou a entender o significado.Ao entender a sua voz falhou:
-Me levem até ela.
-O médico lhe dará alta e a levaremos...-disse Derek e percebendo que a amiga reclamaria,continuou:
-Ela ficará bem e não reclame.Agora deite.
-Eu preciso vê-la...
-Sabemos disso...
Derek falou e bateu a mão na cama.
-O médico irá demorar?
-Não,está vindo-respondeu Luther.
Desanimada deitou-se.
-Um vampiro não pode ficar em um hospital,os humanos...
-O médico e as enfermeiras que cuidam dela e de você são vampiros...-justificou Kurth sentando na cama e colacando propositalmente a mão na coxa dela.
-Kurth,você vai perder essa mão...
-Tá bom.
Ergueu a mão e continuo a olha-la.Depois de um momento,lembrou-se de algo e dirigindo
a Luther perguntou:
-Luther onde está Nique?
O anjo,compenetrado em pensamentos,mostrou-se confuso.
-Pensei que ela estivesse com você.
Kurth revirou os bolsos e ganiu.
-Droga!você está com a chave do carro?
-Não.-respondeu depois de enfiar as mãos nos bolsos.-Ela pegou a chave.
-Ela acabou com o último carro e você a deixa pegar...-Kurth pegou o celular e começou a discar o número,o objeto foi pego por Luther.-Coloque no viva voz.
-Kurth estamos em um hospital.-repreendeu.
-Tá,mas fala pra ela que eu quero meu carro novo inteiro se não...Quebro todos os cd's dela.
-Dominique Müller onde você está?
A voz da garota foi ouvida por todos.O viva voz foi ligado.
-O que é isso Luther?Só estou dando uma volta.-disse Dominique rindo de excitação.
-Dominique Müller!-exclamou Luther,de cara fechada e voz alterada.
-O Kurth deve estar planejando me matar,não é.-Firmou Dominique rindo-Fala pra ele que esse carro mão é tão veloz quanto ao que tinhamos na Alemanha.
-É melhor você trazer o carro de...
A ligação caiu ou melhor,Dominique desligou.
Kurth andava de um lado para o outro.
-Ela tem que trazer meu carro de volta!-disse Kurth furioso.-Ela vai se ver comigo!
Elle riu dele.
-Eu tive uma visão com essa Dominique.
Elle disse e Kurth alucinado,perguntou:
-Com o meu carro?Ela bateu de novo?
-Não.
-Uma visão com a Nique?-repetiu Luther espatado.
-É,foi confusso...só veio algumas imagens distorcidas e o nome me veio.
O médico entrou no quarto e deu alta a garota.Elle estava quase pronta para sair do hospital.Quase.Com uma calça jeans e uma regata dada pelo Derek,seguiu para a UTI onde estava Demetria.
A amiga,se encontrava como um pálido retrato do que fora.Seu coração se apertava com a cena.Demitria,desacordada na cama de hospital,tinha fios que ligavam-se ao seu corpo e se não fosse a máquina no tilintar,pensaria que estava morta.
Lentamente,se aproximou e levou a mão ao rosto da amiga.Estava quente.Foi impossível segurar as lágrimas.
-Demi,sou eu,a Elle.Não dessista,por favor.Acorde preciso de você.Eu e o Derek precisamos de você.Nos já recebemos alta mas a visitaremos todos os dias,prometo.
Enxugou o rosto
-Me desculpe mas o horário de visitas terminou.-disse a enfermeira,saindo em seguida.
-Eu tenho que ir mas amanhã eu volto.
A garota beijou o rosto da amiga e deixou o quarto.
Do lado de fora do hospital,Kurth e Luther esperavam pelos dois.A garota que Elle viu na visão se encontrava encostada no Taurus vermelho,com um grande sorriso no rosto,mostrando o aparelho.
-Olá,Dominique.-disse Elle.-Me chamo Elle.
-Na verdade Elleonora.-interrompeu Kurth.
Elle odiava seu nome e Kurth sabia disso.
-Cale-se.-guinchou Elle irritada.
Derek olhou a garota e perguntou:
-Então,foi você que enloqueceu o Kurth e o Luther,mas você não tem treze anos...
-Catorze,quase quinze.E pode me chamar de Nique.
-Derek.
Kurth já estava no banco do motorista.Entraram todos,e o Taurus seguiu viagem.A paisagem era de árvores e em certo momento de uma cidade,mas por esta passaram sem se aproximar.Seguiram a estrada,tendo como companheiros árvores eo sol altaneiro.
Pararam na frente de um grande portão de metal,propositalmente irregular e disforme,mas aparentemente muito forte.
Kurth apertou um botão de um controle e o portão se abriu.Continuaram por um caminho,ladeado por árvores frondosas e vivas e em pouco a casa destacou.Casa não,Mansão.A mansão era típica do século XIX européia mas fora reformada, e continha muitas janelas.
Era impressionante,e se localizava em cima de um penhasco logo abaixo,o mar rebatia tenso nas pedras.
-Chegamos.-avisou Kurth.
Kurth sempre tivera bom gosto
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